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A História de Alessandro Sabino Rodrigues: Do Café ao Laticínio Joia
Uma trajetória de desafios e conquistas no agronegócio rondoniense

Por Redação
Publicado 18/02/2025
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O nome Alessandro Sabino Rodrigues pode não ser amplamente conhecido fora do setor agroindustrial, mas sua história é um exemplo inspirador de resiliência e inovação. Proprietário do Laticínio Joia, um dos mais importantes do estado de Rondônia, ele trilhou um longo caminho desde sua chegada ao estado, vindo de Minas Gerais, até se consolidar como um dos grandes empreendedores do setor de laticínios. Sua jornada, marcada por desafios e superações, reflete a evolução da agroindústria regional e a luta de pequenos e médios produtores em um mercado competitivo.

Dos campos de Minas à promessa de Rondônia
Alessandro chegou a Rondônia em 1977, aos 14 anos, vindo de Mendes Pimentel, uma cidade mineira próxima ao Espírito Santo. Como muitos imigrantes da época, sua família buscava oportunidades na nova fronteira agrícola brasileira. Desde jovem, Alessandro se envolveu com o trabalho no campo e teve uma forte ligação com o esporte, sendo o primeiro campeão do Campeonato Rural de Cacoal.

Com o passar dos anos, ele começou a atuar no setor cafeeiro, permanecendo por mais de uma década como cerealista. No entanto, o mercado do café passou por momentos de grande instabilidade, especialmente na grande crise de 2002, que derrubou os preços e levou muitos empresários do setor a dificuldades financeiras.

Da crise do café ao sucesso no setor de laticínios
A necessidade de se reinventar fez com que Alessandro buscasse novas oportunidades. Ele começou a investir na revenda de gás e, posteriormente, recebeu a sugestão de abrir uma fábrica de laticínios. O leite, diferente do café, tinha a vantagem de ser produzido diariamente, proporcionando um fluxo de renda mais estável para os produtores.

Inicialmente, Alessandro montou sua indústria com foco na produção de iogurte, mas os primeiros meses foram desafiadores. O técnico contratado não conseguiu desenvolver um produto de qualidade e a produção teve que ser descartada. Foi somente após meses de ajustes que ele encontrou um caminho no mercado de queijos, especialmente na mussarela, que se tornou o carro-chefe do Laticínio Joia.

A consolidação do Laticínio Joia
Mesmo enfrentando dificuldades, Alessandro conseguiu expandir a produção. O laticínio começou com uma capacidade de 1.000 litros de leite por dia e rapidamente atingiu 5.000 litros, graças à confiança dos produtores locais. A empresa cresceu, se registrou no Sistema de Inspeção Federal (SIF) e passou a vender seus produtos para outros estados, como São Paulo.

O crescimento da marca "Joia" se deu graças à sua qualidade e à visão empreendedora de Alessandro. Sua esposa teve um papel fundamental na aquisição da marca, garantindo que o produto fosse registrado e ganhasse reconhecimento no mercado.

Atualmente, o Laticínio Joia compra leite de produtores de cinco municípios e processa milhares de litros por dia, gerando empregos e movimentando a economia local.

Os desafios do setor e a visão para o futuro
Apesar do crescimento, Alessandro destaca as dificuldades enfrentadas pelo setor leiteiro no Brasil. O preço do leite ainda é um problema para os produtores, que muitas vezes trabalham com margens apertadas. Além disso, a concorrência com produtos importados da Argentina e do Uruguai prejudica o mercado nacional.

Segundo Alessandro, uma das soluções seria o governo federal investir mais na divulgação do consumo de leite e derivados, além de incentivar políticas que reduzam a dependência de importações. Ele acredita que, assim como o café, que passou por uma revolução tecnológica e conquistou espaço no mercado mundial, o setor leiteiro pode evoluir com mais incentivos e inovação.

A valorização do produtor e o impacto do laticínio na comunidade
Ao longo dos anos, Alessandro sempre manteve um compromisso com os produtores de leite e seus funcionários. Atualmente, sua empresa emprega diretamente cerca de 40 pessoas e indiretamente movimenta a economia local. Ele enfatiza a importância da produção leiteira para as pequenas propriedades, que dependem da atividade para manter sua sustentabilidade.

Além disso, Alessandro ressalta a relevância do pagamento regular aos produtores, que impulsiona o comércio e o desenvolvimento das cidades do interior de Rondônia. Ele destaca que, no dia do pagamento do leite, a economia dos municípios muda completamente, com os produtores indo às compras e movimentando os negócios locais.

E você, já conhecia essa história? Compartilhe sua opinião e participe da conversa sobre o futuro do setor leiteiro no Brasil!