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Reforma Tributária exige nova postura dos produtores rurais e torna gestão financeira decisiva, alerta Ruan Vitor Barbosa

Durante entrevista ao RuralCast, no Agro&Cont 2026, CEO da RV Solution destaca a necessidade de controlar custos, separar finanças pessoais e empresariais e utilizar informações financeiras para enfrentar os desafios do agronegócio.

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Produtor rural precisa olhar além da lavoura e compreender os números do próprio negócio

A chegada de uma nova etapa da Reforma Tributária, prevista para 2027, está ampliando o debate sobre a importância da organização financeira nas empresas brasileiras. No agronegócio, essa discussão ganha características particulares em razão dos ciclos de produção, da sazonalidade das receitas e da necessidade de realizar investimentos antes de obter o retorno financeiro.

Em Rondônia, onde a agropecuária desempenha papel relevante na economia, produtores de diferentes portes precisam compreender como os custos, as receitas e os compromissos financeiros se relacionam com a continuidade de suas atividades.

Esse foi o principal assunto da entrevista concedida pelo empresário e consultor financeiro Ruan Vitor Barbosa ao RuralCast, podcast do Grupo Amazun, durante a segunda edição do Agro&Cont 2026, realizada no campus da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), em Cacoal.

A conversa foi conduzida pelo professor Charles Carminati, que recebeu o convidado no estúdio montado no AgroHub para discutir a relação entre gestão financeira, competitividade e os novos desafios tributários.

Ruan é bacharel em Direito pela Universidade de Cuiabá (UNIC), possui MBA em Controladoria Financeira e atua como CEO da RV Solution, empresa especializada em gestão financeira, estruturação de processos e organização empresarial.

Durante o episódio, o especialista apresentou uma reflexão importante: o sucesso de uma atividade econômica não depende apenas de produzir e vender, mas também da capacidade de compreender os resultados financeiros.

Reforma Tributária exige atenção de toda a cadeia do agronegócio

Um dos primeiros temas abordados foi a necessidade de preparação dos produtores rurais para as mudanças tributárias.

Ruan explicou que a Reforma Tributária representa um novo cenário para as empresas, exigindo maior atenção ao acompanhamento financeiro e à organização das operações.

"A reforma tributária vem cheia de nebulosidades", afirmou, referindo-se às dúvidas e incertezas enfrentadas por empresários durante o período de adaptação.

Segundo o especialista, a preocupação não deve ficar restrita ao recolhimento dos impostos.

Mesmo quando determinada atividade possui tratamento tributário específico, o produtor continua participando de uma cadeia econômica que envolve fornecedores, prestadores de serviços, compradores e instituições financeiras.

Por essa razão, mudanças tributárias podem influenciar diferentes etapas da atividade rural.

"Mesmo que ele seja produtor rural e tenha regras específicas para o produtor rural, quando a gente fala de lei tributária, ele ainda é afetado por toda a cadeia econômica", explicou.

O entrevistado destacou que o agricultor adquire insumos, contrata serviços e comercializa sua produção, mantendo relações financeiras com diversos agentes do mercado.

Dessa forma, compreender os custos da atividade e acompanhar as mudanças nos preços e nas condições comerciais torna-se importante para planejar os próximos ciclos produtivos.

A propriedade rural também precisa ser administrada como um negócio

Um dos principais alertas apresentados por Ruan foi a necessidade de mudança na maneira como parte dos produtores administra suas propriedades.

Segundo ele, muitos agricultores dedicam atenção intensa às operações produtivas, mas acabam deixando o acompanhamento financeiro em segundo plano.

Essa postura pode dificultar a identificação dos resultados reais da atividade.

Para o especialista, a propriedade precisa ser compreendida também como uma organização econômica.

O produtor deve acompanhar o que entra, o que sai, quais despesas são necessárias e como os recursos serão utilizados nos períodos seguintes.

"O produtor não está mais só focado em produzir, só focado na operação. Ele precisa se organizar financeiramente para enfrentar esse novo momento econômico", afirmou.

A declaração evidencia uma mudança de perspectiva.

Produzir mais nem sempre significa alcançar melhores resultados financeiros. Uma propriedade pode apresentar boa produtividade e, ainda assim, enfrentar dificuldades de caixa quando seus custos e compromissos não são acompanhados adequadamente.

Nesse contexto, a gestão financeira contribui para compreender se o resultado econômico da atividade corresponde às expectativas do produtor.

Sazonalidade da produção representa desafio para o planejamento financeiro

Durante a entrevista, o professor Charles Carminati destacou uma característica importante das atividades agropecuárias: a movimentação financeira não ocorre de maneira uniforme ao longo do ano.

Em muitos casos, os investimentos começam meses antes da comercialização.

O produtor precisa preparar o solo, adquirir insumos, realizar o plantio, acompanhar o desenvolvimento da atividade e arcar com diferentes despesas antes de receber os recursos provenientes da venda.

Além disso, fatores climáticos, perdas produtivas e outros acontecimentos podem comprometer o resultado esperado.

Ruan destacou que essa realidade exige planejamento.

"Ele hoje investe para colher e, de fato, ter lucro depois", explicou.

A observação reforça a necessidade de organizar o fluxo de caixa de acordo com o calendário produtivo.

Um planejamento adequado considera não apenas o volume esperado de receitas, mas também o período em que os recursos estarão disponíveis e os compromissos que precisarão ser cumpridos.

Essa organização pode ajudar o produtor a identificar possíveis períodos de insuficiência de caixa e antecipar decisões relacionadas ao financiamento da atividade.

Falta de controle financeiro ainda representa uma questão cultural

Questionado sobre os principais problemas encontrados em seus cinco anos de atuação no suporte à organização financeira de produtores e empresários, Ruan apontou um desafio que vai além da utilização de planilhas ou sistemas.

"Acho que é uma questão cultural", afirmou.

Segundo o entrevistado, muitos empreendedores se acostumaram a avaliar o funcionamento do negócio apenas pela capacidade de pagar contas e manter as operações.

Quando o dinheiro entra, as despesas são pagas e a produção continua, cria-se a percepção de que a atividade está funcionando adequadamente.

Entretanto, essa avaliação pode não demonstrar a situação econômica real da propriedade.

Sem registros consistentes, o agricultor pode ter dificuldade para identificar os custos que mais pressionam sua atividade, os períodos de maior necessidade financeira e os resultados obtidos em cada ciclo.

Na avaliação de Ruan, a mudança começa pelo reconhecimento da importância de acompanhar os números.

O produtor precisa compreender que os registros financeiros não servem apenas para atender obrigações fiscais, mas também para orientar decisões.

"Não consigo criar estratégias sobre algo que não consigo dimensionar"

Um dos pontos mais importantes da entrevista foi a relação entre informação financeira e planejamento estratégico.

Ruan explicou que a organização das informações representa uma etapa anterior à definição de estratégias para melhorar os resultados de uma empresa.

Sem conhecer a situação atual, torna-se difícil estabelecer metas, identificar prioridades e acompanhar o desempenho.

"Eu não consigo organizar algo. Eu não consigo criar estratégias sobre algo que eu não consigo dimensionar", afirmou.

A declaração sintetiza um dos principais desafios enfrentados por produtores rurais que possuem informações dispersas ou controles financeiros insuficientes.

Para desenvolver um planejamento, é necessário compreender quanto a atividade movimenta, quais são as despesas recorrentes, quais compromissos estão previstos e quais resultados foram alcançados.

Esses dados também contribuem para o trabalho dos profissionais de contabilidade.

Com registros organizados, o contador pode analisar as movimentações de maneira mais consistente e identificar possibilidades de planejamento fiscal dentro das regras aplicáveis.

Pequenos e médios produtores precisam ampliar a atenção à gestão

Durante a conversa, o entrevistado destacou que grandes empreendimentos rurais frequentemente já contam com estruturas administrativas e profissionais especializados.

Por outro lado, pequenos e médios produtores podem enfrentar maiores dificuldades para manter controles financeiros detalhados.

Em algumas propriedades, o acompanhamento das informações ocorre principalmente no momento de preparar documentos para a contabilidade.

Ruan considera que essa prática precisa evoluir para uma rotina contínua.

"Agora ele precisa se organizar diferente. Ele precisa registrar onde sai, para onde sai, onde entra, de onde entra", afirmou.

A orientação busca incentivar o acompanhamento regular das operações.

O controle permite que o agricultor compreenda a origem das receitas e a destinação dos recursos, além de facilitar a identificação de custos que podem ser administrados de maneira mais eficiente.

Segundo o empresário, a organização financeira também pode representar uma vantagem competitiva.

Empreendimentos que conhecem seus números possuem informações mais consistentes para avaliar investimentos, negociar compromissos e planejar o crescimento.

Primeira orientação: separar as finanças pessoais das atividades empresariais

Na parte final da entrevista, Charles Carminati solicitou que Ruan apresentasse três recomendações para produtores rurais e empresários interessados em começar a melhorar sua gestão financeira.

A primeira orientação foi direcionada à separação entre recursos pessoais e recursos utilizados na atividade econômica.

"PF, PJ não se misturam", afirmou o consultor.

Ruan explicou que o empresário precisa compreender a diferença entre o dinheiro destinado à manutenção da atividade e os recursos utilizados para despesas particulares.

"O dinheiro da empresa é da empresa. O seu dinheiro é o seu dinheiro", reforçou.

Na prática, a recomendação significa manter registros que permitam identificar quais despesas pertencem ao negócio e quais são de natureza pessoal.

A separação gerencial também é importante para produtores que exercem a atividade como pessoa física, pois contribui para diferenciar os custos da produção dos gastos familiares.

Essa medida não significa que todo produtor rural seja obrigado a constituir pessoa jurídica. Trata-se de uma orientação de organização financeira, respeitadas as exigências legais de cada enquadramento.

Para Ruan, misturar movimentações dificulta a compreensão dos resultados e pode comprometer o planejamento.

Segunda orientação: classificar entradas, saídas e identificar os gargalos

A segunda recomendação apresentada pelo empresário foi direcionada à organização das movimentações financeiras.

Segundo ele, não basta conhecer o saldo existente na conta bancária.

É necessário compreender de onde vêm os recursos, quais despesas consomem a maior parte do orçamento e como esses valores se relacionam com a operação.

"Você precisa saber de onde entrou, qual é a sua principal fonte de entrada, quais são os seus gargalos de saída", explicou.

No agronegócio, essa classificação pode envolver diferentes categorias, como aquisição de insumos, mão de obra, manutenção de equipamentos, transporte, energia, financiamentos e receitas provenientes da comercialização.

Com os registros organizados, torna-se mais fácil identificar despesas recorrentes, avaliar custos de produção e reconhecer possíveis desperdícios.

A classificação também permite comparar períodos e observar tendências.

O objetivo não é apenas registrar números, mas transformar esses dados em informações úteis para decisões sobre a continuidade e o crescimento da atividade.

Terceira orientação: buscar conhecimento e aceitar apoio profissional

A terceira recomendação apresentada por Ruan foi relacionada à disposição do empresário para aperfeiçoar seus conhecimentos e seus processos de gestão.

Segundo ele, é importante reconhecer que o crescimento de uma empresa pode exigir a contribuição de profissionais especializados.

"Estar aberto mentalmente para essas mudanças", afirmou.

O convidado explicou que o suporte externo pode ajudar o empreendedor a identificar problemas que nem sempre são percebidos durante a rotina de trabalho.

Isso inclui a avaliação de indicadores, a organização de procedimentos e a construção de estratégias financeiras.

Para Ruan, buscar orientação profissional não deve ser interpretado como incapacidade administrativa.

O objetivo é reunir informações e conhecimentos que contribuam para decisões mais seguras.

Ele destacou que a combinação entre organização interna e acompanhamento especializado pode fortalecer a competitividade dos negócios.

Inteligência financeira é ferramenta para melhorar decisões

Outro conceito apresentado ao longo da entrevista foi o de inteligência financeira.

Ruan explicou que sua atuação profissional busca ajudar empresas a compreender melhor seus números, organizar processos e identificar oportunidades de melhoria.

Segundo o empresário, a interpretação dos indicadores representa um diferencial importante no mercado.

"Entender as empresas hoje, numericamente, é muito importante, porque traz uma vantagem competitiva no mercado indiscutível", declarou.

Essa abordagem considera que os registros financeiros devem ser utilizados de maneira estratégica.

A análise permite compreender a situação atual do empreendimento, identificar problemas e estabelecer prioridades.

No agronegócio, a inteligência financeira pode contribuir para decisões relacionadas ao calendário produtivo, à aquisição de insumos, à necessidade de capital e à continuidade das atividades.

Ruan ressaltou que o primeiro passo é conhecer a realidade do negócio.

"Eu não tenho como sair do ponto A ao ponto B se eu não sei onde eu estou no momento", afirmou.

A declaração reforça a importância de diagnosticar a situação financeira antes de estabelecer metas de crescimento.

RV Solution atua na organização de diferentes segmentos empresariais

Durante o episódio, o professor Charles Carminati também questionou se os serviços da RV Solution estavam direcionados exclusivamente ao setor rural.

Ruan explicou que a empresa atende empreendimentos de diferentes áreas econômicas.

Entre os segmentos mencionados estão o agronegócio, o comércio, a prestação de serviços e a área da saúde.

Segundo o empresário, os princípios de organização financeira podem ser aplicados a diferentes atividades, considerando as particularidades de cada negócio.

"A gente não inventa a roda", comentou.

O consultor explicou que parte importante do trabalho envolve procedimentos fundamentais, como contas a pagar, contas a receber, conciliação bancária e acompanhamento de indicadores.

A partir dessas informações, torna-se possível identificar pontos que exigem atenção.

O foco da empresa é contribuir para que os empreendedores compreendam sua situação financeira e desenvolvam estratégias mais estruturadas.

Contabilidade e consultoria financeira devem trabalhar de forma integrada

Outro assunto importante foi a relação entre a gestão financeira cotidiana e o trabalho da contabilidade.

Ruan destacou que a ausência de registros organizados pode dificultar a atuação dos profissionais responsáveis pelo acompanhamento contábil e fiscal.

Quando as movimentações financeiras são registradas de maneira consistente, o contador dispõe de informações mais adequadas para interpretar a atividade econômica.

Isso contribui para compreender os resultados e avaliar as regras tributárias aplicáveis.

No contexto da Reforma Tributária, essa integração ganha relevância porque o planejamento depende do conhecimento das operações realizadas.

Entretanto, a organização financeira não substitui a orientação contábil ou jurídica.

Cada empreendimento precisa observar as exigências específicas de seu enquadramento e das atividades desenvolvidas.

A principal contribuição da gestão é oferecer informações que ajudem esses profissionais e o empresário a compreender a realidade do negócio.

Reforma Tributária: o que muda e por que o produtor deve se preparar?

A Reforma Tributária do Consumo prevê a substituição gradual de tributos existentes por um novo modelo de arrecadação.

Em 2026, o sistema passa por uma fase de testes da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Em 2027, está prevista a cobrança da CBS, com a extinção do PIS e da Cofins. A transição do ICMS e do ISS para o IBS ocorrerá gradualmente entre 2029 e 2032, com implantação integral do novo modelo em 2033.

No caso dos produtores rurais, a legislação estabelece tratamentos específicos, que devem ser considerados de acordo com o enquadramento e as características da atividade.

Portanto, não é correto afirmar que todos os produtores serão obrigados a recolher os novos tributos da mesma maneira.

A preocupação apresentada por Ruan está relacionada à necessidade de compreender os efeitos das mudanças sobre toda a cadeia produtiva.

Mesmo quando determinado produtor não está sujeito diretamente a uma obrigação específica, alterações nas operações com fornecedores, compradores e prestadores de serviços podem influenciar seu planejamento.

Por isso, o especialista recomenda acompanhar as regras aplicáveis e compreender os custos e resultados da propriedade.

Mudança cultural pode ser tão importante quanto a mudança tributária

Uma das reflexões mais relevantes deixadas pelo episódio foi a necessidade de transformação na maneira como os produtores administram suas atividades.

Ruan considera que o desafio não está apenas em compreender a legislação.

Existe também a necessidade de desenvolver hábitos de controle e acompanhamento financeiro.

Para isso, o agricultor precisa deixar de utilizar as informações exclusivamente no encerramento de determinados períodos e passar a acompanhar os registros durante o desenvolvimento da atividade.

Esse processo exige disciplina, organização e abertura para novas ferramentas e procedimentos.

A mudança pode começar com medidas simples, como registrar receitas e despesas regularmente, identificar os custos da produção e planejar os compromissos financeiros.

Com o tempo, essas informações podem contribuir para decisões mais complexas.

O objetivo é construir uma gestão que permita compreender o desempenho da propriedade e identificar possibilidades de crescimento.

O futuro do agronegócio também depende da qualidade da gestão

A entrevista com Ruan Vitor Barbosa demonstrou que a modernização do agronegócio não depende exclusivamente de tecnologias utilizadas na produção.

A maneira como o agricultor organiza as finanças e administra os recursos também influencia a sustentabilidade econômica da atividade.

Com a implementação da Reforma Tributária, o acompanhamento das movimentações financeiras tende a ganhar importância para o planejamento empresarial.

Entretanto, a necessidade de gestão organizada não surgiu com a reforma.

A própria natureza das atividades agropecuárias, marcada por investimentos antecipados e receitas sazonais, já exige atenção constante ao fluxo de caixa.

Para pequenos e médios produtores, esse cuidado pode ajudar a identificar problemas antes que comprometam a continuidade da atividade.

A principal reflexão deixada pelo episódio é que conhecer os números da propriedade não é apenas uma obrigação administrativa: é uma condição importante para planejar o futuro, reduzir incertezas e tomar decisões mais conscientes.

Ao recomendar a separação das finanças pessoais e empresariais, a classificação das movimentações e a busca por conhecimento, Ruan apresentou orientações que podem ser aplicadas também a empresas do comércio, de serviços e de outros setores.

A entrevista integra a cobertura especial do RuralCast, do Grupo Amazun, realizada durante a segunda edição do Agro&Cont 2026, no AgroHub da Universidade Federal de Rondônia, campus de Cacoal, com divulgação pelo canal Olá Rondônia, no YouTube.


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