Agronegócio

Dólar acima de R$ 5,60 acende alerta para preços no agro, diz especialista

Redação

A disparada do dólar após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode provocar uma elevação nos preços dos combustíveis, pressionar a inflação e dificultar a redução dos juros no Brasil. O alerta é do pesquisador do FGV Agro Felippe Serigati, que analisou os movimentos do mercado financeiro nesta segunda-feira (26), primeiro dia de negociações após o segundo turno das eleições presidenciais.

Durante a manhã, a moeda americana ultrapassou R$ 5,60, enquanto a bolsa brasileira registrou forte queda e precisou interromper temporariamente as negociações pelo mecanismo conhecido como circuit breaker.

Segundo Serigati, a reação reflete um processo de correção dos preços dos ativos financeiros, uma vez que parte dos investidores trabalhava com expectativas diferentes para o resultado das eleições.

O pesquisador ressalta, porém, que a turbulência não pode ser atribuída exclusivamente ao cenário político brasileiro. O mercado nacional também precisa absorver mudanças ocorridas na economia internacional ao longo de outubro.

Alta do dólar pode pressionar preço do diesel

Um dos principais riscos apontados por Serigati é o impacto da valorização do dólar sobre os combustíveis, especialmente o diesel, insumo essencial para o transporte de cargas e as operações agropecuárias.

De acordo com o pesquisador, o mercado brasileiro já enfrentava dificuldades relacionadas à diferença entre os preços domésticos e os custos de importação do combustível.

Segundo sua avaliação, essa diferença ultrapassava R$ 3 por litro em determinadas condições de comercialização, tornando economicamente inviável a importação por parte de algumas empresas.

Com a moeda americana mais cara, o custo para trazer diesel do exterior tende a aumentar, ampliando a pressão por reajustes no mercado interno.

Na análise de Serigati, a valorização do dólar pode desencadear uma sequência de efeitos sobre a economia: combustíveis mais caros pressionam os índices de inflação, que, por sua vez, influenciam as expectativas para as taxas de juros.

O resultado pode ser um ambiente de crédito mais caro e maiores custos para empresas e produtores rurais.

Cenário internacional também influencia reação do mercado

Serigati identifica outro fator por trás da volatilidade: a necessidade de o mercado brasileiro incorporar movimentos internacionais registrados ao longo de outubro.

Segundo o pesquisador, os investidores nacionais concentraram suas atenções nas eleições presidenciais, enquanto outros países enfrentavam um ambiente de maior aversão ao risco.

Nesse período, houve elevação das taxas de juros futuros em mercados internacionais, com destaque para movimentos nos Estados Unidos e na França.

Esse cenário costuma afetar economias emergentes, como a brasileira, ao aumentar a atratividade de determinados investimentos no exterior e pressionar os ativos de países considerados mais arriscados.

Para o especialista, parte dos ajustes registrados nesta segunda-feira representa justamente a incorporação dessas mudanças internacionais aos preços dos ativos brasileiros.

Reeleição de Lula amplia desafios econômicos, avalia pesquisador

Na avaliação de Serigati, a continuidade do atual governo também influencia a reação dos investidores.

O pesquisador considera que, diferentemente de uma administração recém-eleita, o governo reeleito enfrenta cobranças imediatas por resultados econômicos e pela condução das contas públicas.

Segundo ele, a administração federal terá de lidar com as consequências das medidas adotadas anteriormente, ao mesmo tempo em que enfrenta um cenário internacional mais desafiador e um Congresso potencialmente menos favorável à sua agenda.

A combinação desses fatores, na avaliação do especialista, eleva a dificuldade de promover ajustes econômicos e recuperar a confiança dos investidores.

Serigati também destaca que ainda não é possível determinar como os mercados encerrarão as negociações, diante da intensidade dos movimentos observados nas primeiras horas do dia.

Para o pesquisador, o que ocorre é uma revisão das expectativas construídas após o primeiro turno, agora ajustadas ao resultado definitivo das urnas e às condições econômicas internas e externas.

Observação editorial: os valores do dólar citados correspondem às negociações da manhã de 26 de outubro de 2026, e não ao fechamento do mercado. A diferença de R$ 3 no diesel é uma informação apresentada pelo entrevistado, sem confirmação independente no material consultado. Por isso, foi mantida como avaliação atribuída ao pesquisador.

Fonte: canalrural

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