O dólar comercial disparou nas primeiras operações desta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por volta das 10h (horário de Brasília), a moeda americana subia 12,32%, cotada a R$ 5,6048 para venda.
O resultado eleitoral contrariou as expectativas predominantes no mercado financeiro. Na semana passada, investidores atribuíam probabilidade de 77% à vitória de Flávio Bolsonaro.
A reação também atingiu os juros futuros. Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 avançaram de 13,475% para 13,896% ao ano. Já os contratos para janeiro de 2029 passaram de 12,595% para 15,030% ao ano.
No mercado futuro de câmbio, o dólar para novembro registrava alta de 9,15%, a R$ 5.610,000. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de outras divisas, avançava 0,07%, aos 101,89 pontos.
Mercado reavalia cenário político e econômico
Em boletim matinal, a Ajax Asset apontou expectativa de reação negativa dos ativos brasileiros, com pressão sobre a bolsa de valores, o câmbio e os juros.
Segundo a instituição, o desempenho do EWZ, principal fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras, também sinalizava uma possível reavaliação dos preços dos ativos locais. O fundo acumulava queda superior a 20% nas operações citadas no boletim.
A Ajax Asset destacou que os próximos movimentos dependerão das sinalizações de política econômica, da capacidade de articulação política do governo e da evolução das expectativas dos investidores.
“As próximas semanas serão determinantes para avaliar a extensão desse processo e seus efeitos sobre a economia real e os mercados”, afirmou a instituição.
Como os ativos se comportaram antes da eleição
Desde o primeiro turno das eleições, o Ibovespa acumulou valorização de aproximadamente 7%, enquanto o real se fortaleceu mais de 4% em relação ao dólar.
No mesmo período, os rendimentos dos títulos públicos brasileiros de dez anos recuaram mais de 125 pontos-base. O movimento refletia o posicionamento dos investidores antes da definição eleitoral.
Com o resultado das urnas, o mercado passou a ajustar as expectativas para o cenário político e econômico do país, em um movimento que pode afetar o câmbio, os juros e os investimentos.